terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Minhas atividades
Atividade sobre preposições:
Atividade 1
Leia o texto a seguir e responda as questões propostas:
Inundação
Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito, sim, por educação. Mas não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança.
A casa, aquela casa nossa, era morada mais da noite que do dia. Estranho, dirão. Noite e dia não são metades, folha e verso? Como podiam o claro e o escuro repartir-se em desigual? Explico. Bastava que a voz de minha mãe em canto se escutasse para que, no mais lúcido meio-dia, se fechasse a noite. Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira. E nós éramos meninos para sempre.
Certa vez, porém, de nossa mãe escutamos o pranto. Era um choro delgadinho, um fio de água, um chilrear de morcego. Mão em mão,
ficamos à porta do quarto dela. Nossos olhos boquiabertos.
Ela só suspirou:
— Vosso pai já não é meu.
Apontou o armário e pediu que o abríssemos. A nossos olhos, bem para além do espanto, se revelaram os vestidos envelhecidos que meu pai há muito lhe ofertara. Bastou, porém, a brisa da porta se abrindo para que os vestidos se desfizessem em pó e, como cinzas, se enevoassem pelo chão. Apenas os cabides balançavam, esqueletos sem corpo.
— E agora - disse a mãe -, olhem para estas cartas.
Eram apaixonados bilhetes, antigos, que minha mãe conservava numa caixa. Mas agora os papéis estavam brancos, toda a tinta se desbotara.
— Ele foi. Tudo foi.
Desde então, a mãe se recusou a deitar no leito. Dormia no chão. A ver se o rio do tempo a levava, numa dessas invisíveis enxurradas. Assim dizia, queixosa. Em poucos dias, se aparentou às sombras, desleixando todo seu volume.
— Quero perder todas as forças. Assim não tenho mais esperas.
— Durma na cama, mãe.
— Não quero. Que a cama é engolidora de saudade.
E ela queria guardar aquela saudade. Como se aquela ausência fosse o único troféu de sua vida.
Não tinham passado nem semanas desde que meu pai se volatilizara quando, numa certa noite, não me desceu o sono. Eu estava pressentimental, incapaz de me guardar no leito. Fui ao quarto de meus pais. Minha mãe lá estava, envolta no lençol até à cabeça. Acordei-a. O seu rosto assomou à penumbra doce que pairava. Estava sorridente.
— Não faça barulho, meu filho. Não acorde seu pai.
— Meu pai?
— Seu pai está aqui, muito comigo.
Levantou-se com cuidado de não desalinhar o lençol. Como se ocultasse algo debaixo do pano. Foi à cozinha e serviu-se de água. Sentei-me com ela, na mesa onde se acumulavam as panelas do jantar.
— Como eu o chamei, quer saber?
Tinha sido o seu cantar. Que eu não tinha notado, porque o fizera em surdina. Mas ela cantara, sem parar, desde que ele saíra. E agora, olhando o chão da cozinha, ela dizia:
— Talvez uma minha voz seja um pano; sim, um pano que limpa o tempo.
No dia seguinte, a mãe cumpria a vontade de domingo, comparecida na igreja, seu magro joelho cumprimentando a terra. Sabendo que ela iria demorar eu voltei ao seu quarto e ali me deixei por um instante. A porta do armário escancarada deixava entrever as entranhas da sombra. Me aproximei. A surpresa me abalou: de novo se enfunavam os vestidos, cheios de formas e cores. De imediato, me virei a espreitar a caixa onde se guardavam as lembranças de namoro de meus pais. A tinta regressara ao papel, as cartas de meu velho pai se haviam recomposto? Mas não abri. Tive medo. Porque eu, secretamente, sabia a resposta.
Saí no bico do pé, quando senti minha mãe entrando. E me esgueirei pelo quintal, deitando passo na estrada de areia. Ali me retive a contemplar a casa como que irrealizada em pintura. Entendi que por muita que fosse a estrada eu nunca ficaria longe daquele lugar. Nesse instante, escutei o canto doce de minha mãe. Foi quando eu vi a casa esmorecer, engolida por um rio que tudo inundava.
COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 25-27.
Glossário
Repleção: repleto, cheio.
Tamborileira: que produz som ou ruído semelhante ao de um tamborim.
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1. No primeiro e segundo parágrafos, o narrador já introduz o fantástico no relato dos fatos, ao passar da recriação de uma realidade mais objetiva para a criação de um mundo fantasioso, imaginário. Nesse contexto, o que o rio e os peixes representam?
a)( ) o rio simboliza o tempo e os peixes representam as lembranças deixadas pelo tempo.
b)( ) o rio simboliza as lágrimas da personagem principal e os peixes a saudade do marido.
c)( ) tanto o rio quanto os peixes simbolizam o tempo em que se passa a história.
d)( ) não significam nada, são meras figuras de linguagem.
2) A partir do décimo quarto parágrafo, por que a mãe do personagem principal (narrador) começa a ter um comportamento diferente?
a) ( ) porque se esqueceu do marido e parou de chorar;
b) ( ) porque arrumou um novo amor, por isso voltou a cantar;
c) ( ) porque a saudade do marido a faz imaginar a presença dele;
d) ( ) porque o seu canto fez o marido retornar para casa;
3. Quanto ao foco narrativo, nesse conto temos:
a) ( ) narrador-observador em 3ª pessoa;
b) ( ) narrador-personagem em 1ª pessoa;
c) ( ) narrador-onisciente em 1ª pessoa;
d) ( ) narrador-onipresente;
4. Qual dos trechos abaixo representa a complicação geradora do conflito da narrativa nesse conto?
a) ( ) Há um rio que atravessa a casa.
b) ( ) Lá fora, a chuva sonhava, tamborileira.
c) ( ) — Como eu o chamei, quer saber?
d) ( ) — Vosso pai já não é meu.
5. “Foi quando eu vi a casa esmorecer, engolida por um rio que tudo inundava”. A figura de linguagem presente nesse trecho representa:
a)( ) o desabamento da casa que foi levada literalmente pela correnteza de um rio;
b)( ) a morte da mãe do personagem principal que não suportou a saudade do marido;
c)( ) o sentimento de luto e a saudade do pai despertada pelo canto da mãe.
d)( ) o fim do sofrimento da mãe ocasionado pelo seu cantar.
Atividade 2
ASPECTOS LINGUÍSTICOS
Leia o texto e responda as questões propostas:
Ler é se aventurar entre as palavras
Estamos envolvidos num mundo repleto de símbolos, imagens, códigos, textos e contextos que despertam a nossa curiosidade e imaginação. As diversidades de linguagens são indicadores fundamentais para nossas crianças, desde o momento ___ que ingressam na escola (na educação infantil) até o aprimoramento da leitura, da escrita e da interpretação – aspectos que são o fio condutor para o desenvolvimento e a evolução do ser humano no seu ingresso à vida adulta. Atualmente, ouvimos falar muito sobre a necessidade de os professores despertarem o prazer pela leitura e pela escrita nos alunos e, com isso, buscamos diversas maneiras de incentivar as crianças e jovens a perceberem a riqueza dessa habilidade.
Regina M. de Oliveira Conrado. “Ler é se aventurar entre as palavras”. Revista Profissão Mestre, abr. 2012.
6) Assinale a alternativa em que a preposição preencheu corretamente a oração:
a)( ) “[…] desde o momento com que ingressam na escola […]”
b)( ) “[…] desde o momento de que ingressam na escola […]”
c)( ) “[…] desde o momento em que ingressam na escola […]”
d) ( ) “[...] desde o momento a que ingressam na escola [...]
7) – No trecho “Atualmente, ouvimos falar muito sobre a necessidade de os professores […]”, a preposição “sobre” exprime a ideia de:
a)( ) assunto
b)( ) finalidade
c)( ) instrumento
d)( ) causa
8. “O policial recebeu o ladrão a bala. Foi necessário apenas um disparo; o assaltante recebeu a bala na cabeça e morreu na hora”.
No texto, os vocábulos em destaque são respectivamente:
a) ( ) preposição e artigo
b) ( ) preposição e preposição
c) ( ) artigo e artigo
d) ( ) artigo e preposição
9. A preposição “com” pode apresentar vários sentidos de acordo com o contexto em que é utilizada. Leia as frases abaixo, observe o valor dessa preposição e faça a correspondência correta nos parênteses:
1. Modo
2. Combinação
3. Companhia
4. Oposição
5. Instrumento
a)( ) Jogou com meu time e perdeu.
b)( ) Abriu a porta com o grampo de cabelo.
c)( ) Chegou ao estádio com os amigos.
d)( ) Agiu com cautela.
e)( ) Só consigo tomar leite com café.
10. Assinale a frase em que o termo destacado não é uma locução prepositiva:
a)( ) Eu não dormi por causa da história que me contaram.
b)( ) Conversem a respeito do problema.
c)( ) Fique bem longe de mim!
d)( ) Quero levar você em lugar de sua prima.
Atividade 3
Leia o texto abaixo:
11. Sobre a diferença de sentido entre as expressões “cadeira de balanço” e “cadeira do balanço” marque a resposta correta:
a) ( ) de balanço, refere-se ao tipo de cadeira, portanto é uma característica da cadeira, enquanto que do balanço, refere-se ao objeto a que pertence a cadeira.
b) ( ) do balanço, refere-se ao tipo de objeto enquanto que de balanço, refere-se ao objeto a que pertence a cadeira.
c) ( ) de balanço indica posse enquanto do balanço lugar;
d) ( ) de balanço indica a qualidade e do balanço a localização.
12. Marque as frases em que as preposições foram empregadas corretamente:
a)( ) A família sentou à mesa para o almoço.
b)( ) A família sentou na mesa para o almoço.
c)( ) vou à escola falar com a diretora.
d)( ) Vou na escola falar com a diretora.
e)( ) Comprei uma TV em cores.
f) ( ) Comprei uma TV a cores.
g)( ) O secretário pediu para ir ao banco.
h)( ) O secretário pediu para ir no banheiro.
Estão corretas:
a) ( ) a, c, f, h
b) ( ) a, c, e, g
c) ( ) b, d, f, h
d) ( ) b, c, e, g
13. Compare o uso das preposições presentes nos dois textos e coloque V para verdadeiro e F para falso nos parênteses:
Texto 1:
Texto 2:
a)( ) As duas expressões são consideradas corretas pois tanto faz “Entrega a domicílio” quanto “Entrega em domicílio”.
b)( ) A expressão “Entrega a domicílio” está errada, tendo em vista toda entrega ser realizar “em algum lugar” e não “a algum lugar”.
c)( ) A expressão “Entrega em domicílio” está correta, porque a preposição “em” transmite o sentido de lugar.
d)( ) Na expressão “Entrega a domicílio” podemos substituir a preposição “a” por “para” e mesmo assim a frase continuaria correta.
Gabarito
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1 |
A |
B |
C |
D |
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2 |
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3 |
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7 |
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8 |
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11 |
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12 |
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